Numa tarde de abril de 2011, eu estava no trabalho, bem entediada. Tinha terminado algumas coisas e fiquei num ócio não-livre. Tinha deixado o filhote em casa, com a avó. E ele estava bem feliz. Mas eu sentia que, pra mim, estava faltando algo. Seria saudade dele?
Digitei na tela do google a palavra mãe e mil coisas apareceram. Mas a que me chamou atenção foi Coisas de mãe, cliquei. Entrei no blog da Pati Papp. E pensei "nossa ví essa moça outro dia na tv!", comecei a ler imediatamente tudo que ela tinha postado. De lá pra outros blogs, foram questão de cliques.
E que mundo era aquele que eu não conhecia? Sim, eu sabia da existência de blogs. Não sabia da existência da maternagem. Aquela ativa, que tem voz, que tem vez.
Até aquele momento eu estava me comportando como uma boa mãe. Era cuidadosa, atenciosa, amorosa, mas a verdade é que eu estava sendo guiada. Foram dois anos assim. Era só um comportamento repetido. Porque as pessoas estão aí pra te dizer como você deve ser mãe.
Não foi fácil, por exemplo, eu ter escolhido parto normal pro nascimento do meu filho. Isso não era comportamento padrão. E até hoje as pessoas não entendem que eu não sofri, que o parto - mesmo sendo do primeiro filho- foi rápido e fácil e que principalmente eu não morri.. de dor.
E foi na leitura dos blogs que eu vi que sim! que parto normal ainda é normal. Que as pessoas estão em busca disso. Que a amamentação não é fácil. Pra mim não foi. E que a persistência tem que existir também, porque é muito mais fácil pra mãe, deixar de alimentar o filho no peito, se o peito tá dolorido ou em frangalhos. Conheço poucas mães que amamentaram mais que os seis meses. E a livre demanda? Só conheci nos blogs, porque RN tem que ter hora pra tudo.
E era quase isso que eu estava fazendo. Mesmo sendo criticada por ser muito paciente (oi?), eu estava me deixando levar. E eu me dei conta que eu não estava me deixando ser mãe. Que as outras pessoas estavam me dizendo quantas vezes eu tinha que pegar meu filho no colo "porque senão eu ia criar um monstrinho mimado."
E da vontade de ser mãe de novo? Eu bloqueei essa vontade. Tinha medo. Quase não deixava o maridão encostar em mim, tadinho!rs
Sabe por que? Porque engravidar enquanto ainda se tinha um bebê em casa era sinônimo de fracasso. Em nenhum momento era escolha. Uma mulher que engravidava pouco tempo depois do nascimento do primeiro filho, era mulher descuidada, que não pensava no futuro, que ia passar o resto da vida no tanque lavando fralda da ninhada anual. E nunca mais seria feliz.
Se você está se perguntado "em que mundo eu vivia?" era no mesmo que o seu, embora eu tivesse com os olhos vendados, tal qual os burros de cargas, sabe? Onde o dono do bichinho tapa sua visão periférica, só pra ele não se entreter com bobagens e continuar olhando sempre pro caminho que deve seguir.
E foi a partir daquela tarde, que meu mundo materno expandiu. Quanta coisa nova eu aprendi em poucas horas. E foi nessa mesma tarde que o blog nasceu. Não foi planejado - assim como minha gravidez-, mas foi me transformando, me iluminando. E desde seu nascimento só tem me dado alegrias. Só tem me ensinado a ter voz ativa dentro da minha casa, na rua, no parquinho, na escola...
Obrigada a todas as mães dos blogs que já visitei. Eu aprendi muito. Não acredito que tenha ensinado muita coisa não, mas no futuro próximo sei que estarei preparada!
E agradeço muito as amizades que já fiz. São especiais pra mim!

Adorei o seu relato!!! Tô acompanhando a blogagem colevita!!!
ResponderExcluirBjos
Ivna que máximo teu relato! E como é bom quando a gente encontra informações em que se identifica não é? Eu nunca quis criar um robozinho ditado pela sociedade e por isso ficava cada vez mais encantada quando lia sobre maternagem ativa. A blogosfera é mesmo um mundo incrível e que bom que você ta aqui também!
ResponderExcluirBeijos
Legal teu relato. A blogosfera também transformou -e muito- minha maternagem. Essa troca é sensacional, né não?
ResponderExcluirbj
Ivna...claro que a gente aprende com você...a blogsfera é ótima por isso, uma grita alí, "todascorre" pra ajudar e com certeza vc tem muito pra ensinar...pelo menos eu aprendo sim.
ResponderExcluirlegal saber como tudo começou...
Bj
Ivna, amiga querida e comadre, seu relato me emocionou de tão verdadeiro e tanta afinidade que senti com as suas palavras. Eu também sou muito grata às mamães da blogosfera. Com vocês tenho aprendido muito. Adoro a sua casa e o garotão afilhado lindo. Beijos para vocês!
ResponderExcluirIvna, vim ler a sua história! O que mais se faz por aqui é aprender, né? Ô coisa boa! Bjs mil!
ResponderExcluirOi Prima não pude deixar de comentar no teu post,o teu relato é lindo! Beijinhos
Excluirhttp://fashion-perfeito.com/
Ivna, impressionante o seu relato, como a blogsfera muda, em pouquíssimo tempo, vários conceitos sobre o que consideramos certo ou errado. Isso sim é maternidade real!
ResponderExcluirBeijos e super obrigada por ter participado da blogagem coletiva e volte mais vezes ao Mamatraca!
Beijos
www.mamatraca.com.br